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Matérias especiais

A saúde dos adolescentes

Confira as informações reveladas pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar - PeNSE, realizada em 2019, sobre a saúde dos adolescentes de 13 a 17 anos de idade que frequentavam do 7º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio das redes pública e privada.

A perspectiva de educação do escolar

Uma análise realizada em 2014 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID sobre evasão escolar revelava que, no Brasil, a maioria dos estudantes do ensino médio não acreditava que ter mais educação resultaria em melhores condições de vida.

Em 2019, a PeNSE questionou os escolares sobre suas perspectivas ao concluírem o ensino fundamental e o ensino médio.

57,7% dos estudantes de 13 a 17 anos pretendiam continuar estudando e trabalhando quando terminassem o ensino fundamental. Dos alunos dessa faixa etária (13 a 17 anos de idade), 24,4% pretendiam apenas estudar, estando o maior percentual, portanto, concentrado na faixa de 13 a 15 anos de idade, com 25,3%. 

Quanto aos escolares do ensino médio, 67,2% deles revelaram querer continuar estudando e trabalhando; por outro lado, apenas 9,7% pretendiam continuar somente estudando.

A relação do estudante com seu corpo

Prática de atividade física

28,1% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos de idade praticaram 300 minutos, ou mais, de atividade física na semana anterior à pesquisa, sendo classificados como fisicamente ativos. A pesquisa revelou ainda que, desses estudantes classificados como fisicamente ativos, 38,5% eram do sexo masculino e 18,0%, do sexo feminino.

61,8% dos alunos foram classificados como insuficientemente ativos, demonstrando que esses escolares praticam algum tipo de atividade física (entre 1 e 299 minutos); e 8,7% como inativos, revelando que não dedicam nem um minuto para realizar atividades físicas.

Hábitos sedentários

Em 2019, 53,1% dos escolares de 13 a 17 anos tinham o hábito de permanecer sentados por mais de três horas diárias, dedicando esse tempo à exposição a diversos tipos de telas (televisão, videogame, tablet, computador, celular etc) 

O tempo dedicado a assistir à televisão é levemente superior entre as meninas (54,3%) quando comparado aos meninos (51,9%). Também é relativamente mais frequente entre os alunos de escolas públicas (37,2%) o tempo de televisão superior a duas horas quando comparados aos da rede privada (28,7%).

Hábitos alimentares

Estimou-se que, em 2019, 97,3% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos consumiram, pelo menos, um alimento ultraprocessado no dia anterior à pesquisa. Em contrapartida, somente 2,7% deles revelaram não ter consumido nenhum desses alimentos.

  

Confira no gráfico a seguir o percentual de escolares de 13 a 17 anos que consumiram alimentos marcadores de alimentação saudável (MAS) e não saudável (MANS) na semana anterior à pesquisa, por tipo de alimento consumido e grupos de idade:

Percepção da imagem corporal

Mais da metade dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos (66,5%) declarou estar satisfeita ou muito satisfeita com o próprio corpo. No entanto, quando se compara a pesquisa de 2015 com a de 2019, nota-se uma redução de 5,2% dos que se sentiam satisfeitos ou muito satisfeitos e um aumento de 16,2% dos que se sentiam insatisfeitos ou muito insatisfeitos.

Cerca de 20% dos alunos brasileiros disseram se considerar gordos ou muito gordos, sendo a maior parte composta por alunas (25,2%) e estudantes de escolas privadas (26,2%). Menos de ¼ dos escolares brasileiros relataram desejo de emagrecer.

Bullying

12,0% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos revelaram ter praticado algum tipo de bullying na escola e 23,0% afirmaram que, por duas ou mais vezes, se sentiram ofendidos ou humilhados pelos colegas, nos 30 dias anteriores à pesquisa. Os três principais motivos das provocações dos colegas foram: a aparência do corpo (16,5%), aparência do rosto (11,6%) e cor ou raça (4,6%). A PeNSE 2019 levou em consideração termos como esculachar, zoar, mangar, intimidar ou caçoar, que, posteriormente, são interpretados como bullying, evitando, dessa forma, o uso dos termos diretamente.

 

Iniciação sexual

A PeNSE 2019 indicou que 35,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tiveram relação sexual alguma vez na vida. A análise por sexo mostrou que 39,9% dos meninos dessa faixa etária já tiveram relação sexual ao menos uma vez, enquanto entre as meninas esse percentual foi de 31,0%.

A primeira vez

36,6% dos adolescentes que já tiveram alguma relação sexual tinham 13 anos ou menos de idade na sua primeira experiência sexual. A pesquisa apontou, ainda, que, nessa faixa de idade (13 anos ou menos), os mais precoces foram os meninos (44,7%) e os estudantes da rede pública (37,4%).

 

Métodos de prevenção

O percentual de estudantes que revelou ter usado camisinha ou preservativo na primeira relação sexual foi de 63,3%, em 2019, sendo a maior parte composta por meninas (66,1%) e escolares da rede privada (66,0%). Já na última vez que se relacionaram sexualmente, 59,1% dos estudantes usaram preservativo; o que demonstra que parte deles deixou de usar preservativos nas relações sexuais.

A pílula anticoncepcional foi o método contraceptivo mais utilizado pelos escolares (52,6%). Em segundo lugar, está a pílula do dia seguinte, com 17,3% de utilização pelos adolescentes entrevistados. A PeNSE 2019 revelou que 45,5% das meninas de 13 a 17 anos que já tiveram relação sexual fizeram uso da pílula do dia seguinte ao menos uma vez na vida. 

Orientações na escola sobre sexualidade

82,1% dos estudantes de 13 a 17 anos de idade receberam informações sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV/Aids na escola;

67,6% receberam, na escola, orientações de como adquirir preservativos gratuitos; e

75,5% dos estudantes disseram receber informações na escola sobre a prevenção de gravidez.

 

Cigarro, álcool e outras drogas

A PeNSE 2019 revelou que 22,6% dos estudantes de 13 a 17 anos disseram já ter experimentado cigarro pelo menos uma vez na vida; 26,9% já experimentaram o narguilé; e 16,8% já experimentaram o cigarro eletrônico.

63,3% dos escolares entrevistados de 13 a 17 anos de idade já experimentaram bebida alcoólica alguma vez na vida; destes, 34,6% tomaram a primeira dose com menos de 14 anos.

28,1% dos estudantes de 13 a 17 anos ingeriram bebida alcoólica nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa.

13% dos estudantes haviam experimentado algum tipo de droga ilícita, como maconha, cocaína, crack e ecstasy.

Os estudantes e a relação com seus pais ou responsáveis

Conhecimento dos pais ou responsáveis sobre o tempo livre dos estudantes

83,6% dos escolares brasileiros declararam que os pais ou responsáveis sabiam o que eles faziam no tempo livre, nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Falta às aulas sem permissão dos pais ou responsáveis

Dos estudantes entrevistados de 13 a 17 anos, 19,3% faltaram a alguma(s) aula(s), nos 30 dias anteriores à pesquisa, sem a autorização dos responsáveis.

Presença dos pais ou responsáveis durante as refeições

Em 2019, estimou-se que 68,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos costumavam almoçar ou jantar com seus pais ou responsáveis.

Entendimento dos pais quanto aos problemas e preocupações dos filhos

66,6% responderam que os pais entenderam seus problemas e preocupações, nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Dados sobre violência

Agressão física

A PeNSE 2019 mostrou que 21,0% dos alunos de 13 a 17 anos disseram ter sofrido agressão física por pai, mãe ou responsável alguma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa; e 10,6% disseram ter se envolvido em alguma briga com luta física nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Violência sexual

A PeNSE abordou, também, o tema da violência sexual sofrida pelos escolares. A pesquisa revelou que 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram algum tipo de violência sexual na vida; ou seja, foram tocados, manipulados, beijados ou tendo seus corpos expostos sem o seu consentimento. A maioria das pessoas que reportaram esse tipo de problema foram as meninas (20,1%); o que representa mais do que o dobro do número de meninos que se queixaram do mesmo tipo de violência (9,0%).

 

Saiba mais

A quarta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar - PeNSE foi realizada em 2019, a partir de convênio celebrado entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com o apoio do Ministério da Educação.

Os dados apresentados neste especial se referem às respostas dos escolares de 13 a 17 anos de idade, frequentando do 7º ao 9º ano do ensino fundamental (antigas 6ª e 8ª séries) e da 1ª a 3ª séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas.

Confira informações mais aprofundadas nos links a seguir:

Portal do IBGE Publicação completa "Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar" 2019

Agência IBGE de Notícias 

PeNSE2019: Uma em cada cinco estudantes já sofreu violência sexual

Questão de gênero: indicadores de saúde mental são piores para as meninas

Seis em cada dez estudantes haviam experimentado bebida alcoólica na pré-pandemia

Canal do IBGE no YouTube IBGE Explica • PeNSE